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domingo, 10 de março de 2013

POÇO VERDE SÓ FALTA GENTE

Por Baruc Martins - Nos últimos anos Poço Verde deu um salto em seu desenvolvimento seguindo o exemplo de todo o Nordeste e do Brasil. Crescimento atrelado às benesses de um progresso controlado, um tanto ortodoxo nas políticas econômicas e que reconfigurou para o mundo conceitos neoliberais que a esquerda tanto lutou para afastar e, assim que pôs a mão no poder, centralizou-se para manter a governabilidade. No plano local, especificamente em nossa cidade, esse crescimento foi para a construção, para a infraestrutura, para o todo de pedra, metal e madeira com o intuito de transformar significativamente a qualidade de vida das pessoas. Nesse perspectiva, nem tudo deu certo. Melhor: algo deu muito errado.

O alto número de suicídios, a onda de criminalidade e violência, o silêncio dos detentores do poder e a oposição com discursos personalísticos não apontaram para um problema fundamental: em que lugar estão as pessoas, o humano? Não é pintando uma escola que vamos trazer mais conhecimento a seus alunos. Não é colocando um artista local para tocar uma vez por ano em um show massificado que vamos incentivar as manifestações culturais de nosso município. Não é construindo uma Praça da Juventude com anfiteatro que vamos ter a honra de assistir apresentações de nossa gente. Não é mandando matar os "malfeitores" que o nosso problema com as drogas vai sumir. Enfim, não é camuflando os problemas que vamos nos livrar deles.
Quem entra em Poço Verde hoje parece estar entrando em uma cidade fantasma com alguns bonecos animados a quem chamamos de moradores. Parece não haver vida. Parece não haver gente. Natal que não é natal. São João que não é São João. Poço Verde Fest que não é Poço Verde Fest. Por mais óbvio que possa parecer, precisamos de festas, precisamos do Natal e de suas representações. Somos seres simbólicos que vivemos de rituais. Isso é necessário para a nossa existência em sociedade. Não esqueçam: somos humanos! Quando me disseram que não haveria festa bancada pela prefeitura no Poço Verde Fest em respeito às famílias que sofreram com a seca, pensei: "maravilha! Não vão fazer a velha política romana do pão e circo." Isso, claro, até saber da festa que fizeram para a posse do atual prefeito. Mais: até ver em que se transformou o Poço Verde Fest. Foi doloroso pra mim caminhar pelas ruas e ver as pessoas divididas entre quem estava dentro da corda e quem estava fora. É óbvio que desde que começou o hábito dessas micaretas que é assim. Mas, dessa vez, não havia nada além dos blocos. Essa diferença entre quem está dentro ou quem está fora pode ter sido pouco sentida por quem estava curtindo a festa, porém ela só comprova o nível de distanciamento do governo municipal com a população.
Esse distanciamento implica também a redução das manifestações culturais, do incentivo ao desenvolvimento de uma cultura através de nossos artistas. Paú Barroca canta brega, Seu Oliveira Cantador canta sertanejo, Romário Lennon pop rock. São eles legítimos representantes de nossa cultura mesmo esses ritmos sendo de outras regiões? Sim, lógico que sim! A cultura é mutante. Parafraseio Gilberto Gil ao dizer que quem tem raiz é mandioca. Nesse sentido, o Reizado de Dona Raimunda é importante e deve ser valorizado, mas não só ele! Também sou a favor que em festas de grande porte sejam convidados artistas e bandas do tipo de Aviões do Forró, Luan Santana, Silvano Sales, Pablo do Arrocha, Black Style, Michel Teló, Calcinha Preta, Valesca Popozuda - se sua música for ouvida e apreciada por muitas pessoas - porque é isso que se ouve por todos os cantos da cidade. Temos que parar de ter essa visão de que as pessoas precisam ser educadas, moralizadas no que assistem e ouvem pelo Estado. Como se quem morasse no Xique-Xique tivesse uma cultura menos superior que a minha ou que a de qualquer um de vocês. É nesse lugar que essas pessoas estão e é isso que elas ouvem porque foi essa a forma de resistência que encontraram a uma cultura dita superior e que, de fato, não as representa. Porém, a escola como instância socializadora deveria instigar no aluno que mora, seja no Xique-Xique ou no centro da cidade, novas formas de se produzir e consumir cultura. Deslocando, inclusive, o conceito clássico de cultura a que a maioria estão acostumados.
Dentro desse contexto, e em caráter emergencial, já deveria ter sido criado um "calendário cultural", colocado em discussão com as diferentes organizações e grupos qual seria a melhor forma de incentivá-los a desenvolver  uma cultura local pautada em um crescimento comunitário e não em privilégios de engenhos político-partidários. Deveria ser estudada a criação de um Cineclube, de projetos capitaneados pela secretaria de cultura que engendrem na vida da comunidade e dela emanem em manifestações das mais diferentes formas. A secretaria de educação, sob os auspícios de Caduda, está fazendo um incrível trabalho, mas somente ela não é suficiente. Chega de resumir a vida comunitária a vida escolar! O conceito de escola ainda não foi bastante desenvolvido na práxis social de nossa cidade. Teoricamente está tudo lindo. Contudo, vejam o que acontece, por exemplo, com o incentivo a um grupo de jovens de 22 anos que estão fora da escola e moram no Xique-Xique e que possuem o sonho de formar uma banda. Ou, ainda, de um senhor de 50 anos que mal sabe escrever mas que é um poeta nato. A resposta é, nada. Seus sonhos morrem e sua história desaparece. Esse é o fim de todos aqueles que estão a margem da sociedade. Por isso, mais do que uma crítica, este texto foi um incentivo para que floresçam em vocês, vereadores, e em você, Thiago, a necessidade de se horizontalizar as construções para que elas tenham como propósito unir as pessoas e não separá-las.Baruc Martins é estudante de Jornalismo da UFS.blog juventudeenloucrescida

Um comentário:

  1. texto muito lindo mais de nada serve para uma população de pessoas toscas e alienadas. E muito menos para os políticos dessa cidade que o único projeto deles é roubar e roubar o dinheiro público por isso a 10 anos sai dessa cidade para nunca mais ter que voltar.

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